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Ensinamentos do Mestre Gichin Funakoshi
Projeto Esporte e Cidadania Paraná apresenta a série “Niju – Kun: 20 ensinamentos do Mestre Gichin Funakoshi”.

Nesta série você tem acesso aos 20 conhecimentos do mestre de Karatê Tradicional Gichin Funakoshi, com reflexões sobre o quanto estes ensinamentos contribuem para o desenvolvimento humano e para atividades socioeducativas com adolescentes, assim como acontece no Projeto Esporte e Cidadania Paraná, realizado pela ADDES e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobrás Socioambiental.

As reflexões feitas aqui tiveram como referência os comentários de Genwa Nakasone e as legislações de promoção e proteção à criança e ao adolescente. Estes e outros ensinamentos de Karatê Tradicional aplicado a projetos sociais, bem como informações sobre demais projetos desenvolvidos pela ADDES podem ser conferidos na publicação ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas.
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 20:
HITOTSU – TSUNE NI SHINEN KUFU SEYO
“Estude, pratique e se aperfeiçoe sempre.”

O vigésimo ensinamento do Mestre Funakoshi encerra uma ordem àqueles que se determinam pelo Karatê: Estude, pratique e se aperfeiçoe sempre! Esta ordem leva a retomar um a um todos os demais ensinamentos, a refletir sobre eles, a compreendê-los de maneiras novas e colocá-los em prática. Conduz ao estabelecimento de um objetivo de vida, de auto superação, pois remete a um permanente aperfeiçoar-se.
Esta proposta é feita a todos os praticantes do Karatê Tradicional, inclusive àqueles que iniciam seus treinamentos por meio de projetos socioeducativos.
Há um desafio individual que esta ordem impõe a cada karateca que deseja continuar seu treinamento e há também um desafio global, que convoca toda a sociedade, a contribuir para que isso se torne possível.
Famílias, Estado e sociedade civil são responsáveis pela defesa de direitos e pela proteção das crianças e adolescentes brasileiros. A prática do Karatê tem se constituído como eficiente método de superação de situações graves de vulnerabilidade e risco social. Contudo, sua aplicação junto ao público alvo se dá mediante a execução de projetos sociais, que demandam investimento de recursos de setores públicos e privados.
A ADDES consolidou-se enquanto instituição social para dedicar-se à efetividade deste último e de todos os demais ensinamentos. Tem em vista a continuidade das ações socioeducativas iniciadas e a viabilização da continuidade dos treinamentos a todos os participantes do projeto que apresentem interesse. Visa ainda expandir ações para novos participantes, ofertando a gama de possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento que o Karatê propõe. É responsável, portanto, pela execução dos projetos sociais.
E, para que seja concretizado este trabalho da ADDES, é necessário o investimento de parceiros públicos e privados, comprometidos com a causa da criança e do adolescente e que acreditem no potencial do Karatê como estratégia metodológica para ações socioeducativas para a infância, adolescência e juventude.
Concluímos, portanto, que a palavra inspiradora do vigésimo ensinamento do mestre Funakoshi é sustentabilidade, que assegurará o contínuo investimento no ensino aprendizagem, treinamento, prática e aprimoramento do Karatê com fins no desenvolvimento humano integral.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 20 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 19:
HITOTSU – CHIKARA NO KYOJAKU KARADA NO KANKYU WAZA NO SHINSHUKU WO WASURUNA
“Não esqueça o emprego ou retirada do poder, a extensão e contração do corpo, a rapidez e a tranqüilidade ao aplicar a técnica”.

A qualidade técnica dos movimentos no Karatê se dá pela combinação adequada destes três elementos:
- alta e baixa intensidade de força;
- expansão e contração corporal;
- técnicas lentas e rápidas.

Tal combinação requer o desenvolvimento de todas as habilidades já descritas ao longo da reflexão sobre os Ensinamentos do Mestre Funakoshi e se dão ao longo do tempo, a partir do treinamento disciplinado e dedicado.

Trata-se sim de uma técnica complexa, assim como é complexo todo o aprendizado para a vida. Também no dia-a-dia, se requer uma sabedoria aprimorada, capaz de optar adequadamente a intensidade do uso de cada um dos potenciais desenvolvidos, o tempo e o ritmo certo para cada situação, a força ou leveza que cada desafio exige.
Falamos em desenvolvimento humano integral e isto não se dá de maneira simples, pronta e acabada. Muito pelo contrário, vai se consolidando ao longo da vida, incessantemente, a partir de variáveis sempre novas e distintas combinações.
Cada momento da vida, assim como cada ser, representam uma singularidade que precisa ser respeitada e valorizada. Desta forma, a aplicação do todo aprendido no Karatê não se dá de maneira estática ou tecnicista, mas de forma adequada aos diferentes contextos e especificidades.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 19 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 18:
HITOTSU – KATA WA TADASHIKU JISSEN WA BETSUMONO
“A prática de fundamentos deve ser correta, porém na aplicação se torna diferente”.

Também este item remete para o ensino-aprendizagem das técnicas do Karatê. Ao longo de sua história, mestres dedicaram-se em estabelecer estratégias bastante específicas de treinamento, considerando os diferentes movimentos, emprego de força e agilidade. Aos movimentos desenvolvidos chamam-se de Katas. No treino cotidiano do Karatê, o praticante deve buscar a forma mais perfeita de execução dos Katas, seguindo com rigor o ensinamento dos Mestres. Contudo, durante as lutas, precisa ter mais atenção na estratégia que seu oponente exige do que na execução fiel dos Katas, precisa considerar os pontos fracos e fortes de seu opositor e agir de forma adequada às exigências que a situação lhe impõe.
A reprodução fiel dos ensinamentos dos reconhecidos mestres do Karatê Tradicional habilita tecnicamente o praticante ao uso da criatividade na luta. Portanto, embora lhe exija uma ação que se distancia do rigor técnico do treino, não lhe tomará despreparado e ele não agirá por improviso.
Desta forma, vai se constituindo um processo de aprendizagem que valoriza todo o avanço historicamente construído e prepara para sua aplicação na vida cotidiana.
Poderíamos traduzir este ensinamento como um compromisso entre teoria e prática, uma responsabilidade com a aplicação real do aprendido. Este aspecto atribui legitimidade ao método e ainda é um eficiente motivador a todos aqueles que se aproximam da técnica, buscando nela aprendizados para sua vida.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 18 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 17:
HITOTSU – KAMAE WA SHOSHINSHA NI ATO WA SHINZENTAI
“No início, seus movimentos são artificiais, mas com a evolução se tornam naturais.”

Este ensinamento está muito vinculado com ensino aprendizagem das técnicas de luta no Karatê Tradicional. Os principiantes são ensinados sobre as adequadas posturas que devem assumir, estas posturas iniciais são chamadas de “Kamae”. Já os experientes são convocados a agir com maior liberdade, sem considerar o “Kamae”, mas com a flexibilidade necessária para enfrentar seu oponente da forma mais bem sucedida, a este estado de prontidão e flexibilidade chama-se de “shinzentai”. Entende-se que o Karateca que está em “Shinzentai” possui um “Kamae” mental que lhe assegura as posturas mais adequadas para cada luta.
Trata-se de um processo de conhecimento, que recruta inicialmente características mais físicas e capacidades de corresponder a formas pré-estabelecidas. Com o tempo, novas habilidades vão sendo desenvolvidas e cabe ao praticante a sensibilidade, sabedoria e estratégia para atuar da melhor forma.
Podemos reconhecer neste aspecto um processo que compreende o desenvolvimento da autonomia do aluno. O aspecto limitado a repetições e à reprodução do formato pré estabelecido cabe aos iniciantes, contudo haverá o momento de amadurecer, de responsabilizar-se pela condução de seus próprios movimentos. E, sem desprezar o aprendido na fase inicial, será construído seu próprio estilo, tendo naquela fase inicial a sua referência mental, ou seja, a base filosófica de princípios e valores que orientaram as atitudes futuras.
Esta etapa de “maturidade” e desenvolvimento da autonomia pode ser desenvolvida já na adolescência, evoluindo ao longo de toda a vida.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 17 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 16:
HITOTSU – DANSHIMON WO IZUREBA HYAKUMAN NO TEKI ARI
“ Para a pessoa que sai do seu portão, existem milhões de adversários.”

Neste ensinamento o portão representa os limites de cada um, suas áreas de conforto e segurança. O fato é que constantemente, homens e mulheres precisam ultrapassar os limites do conhecido, do espaço sobre o qual se tem controle. Nestes casos, entende-se que se está numa situação de maior vulnerabilidade, que demanda uma atenção ainda maior diante das distintas, e por vezes desconhecidas, possibilidades de ataque.
Para tanto, propõem-se uma atitude ao mesmo tempo alerta e otimista, considerando a situação de vulnerabilidade em que se encontre, mas se decair em medos exagerados.
Quando trazemos a metáfora do portão na atenção a crianças e adolescentes poderíamos dizer que se trata da representação dos mecanismos de proteção, dentre os quais poderíamos citar a família, a escola, os equipamentos públicos, o Conselho Tutelar. A criança ou o adolescente que se veja fora destes portões, sem a proteção adequada, encontra-se numa situação de vulnerabilidade e mesmo de risco, pois ainda não possui suficiente preparo para se defender das diversas formas de ataque. Ficam então sujeitas aos diferentes tipos de violência, expostas ao tráfico de drogas, inibidas em seu processo de desenvolvimento, negligenciadas em seus direitos.
São muitos, hoje, os adversários que crianças, adolescentes e mesmo as suas famílias, enfrentam hoje, portões a fora. O debate proposto por este ensinamento pode contribuir para o fortalecimento de estratégias de atenção, por parte dos governos, famílias e de toda a sociedade, bem como de intervenção para minimizar a forças dos oponentes cotidianos aqui citados. Uma via para isso é do fortalecimento das Redes de Proteção à Criança e ao Adolescente.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 16 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 15:
HITOTSU – HITO NO TEASHI WO KEN TO OMOU
“Imagine que as mãos e os pés de seus adversários são como espadas”.

“Os pés e as mãos do karateca hábil são tão poderosos quanto uma espada, e isso deve ser levado em conta literalmente. Mas também devemos considerar os membros de um não praticante potencialmente perigosos, quando a vida está em jogo mesmo os destreinados são capazes de demonstrar grande poder em uma luta. Quando alguém que não tem conhecimento das artes marciais resolve lutar com seu coração e sua alma sem temer pela própria vida ele pode ser extremamente perigoso. Por essa razão nós não podemos nunca sucumbir a arrogância e superconfiança sobre nossa força e nossa habilidade. Sempre devemos estar atentos ao potencial do oponente sendo ele praticante de artes marciais ou não. Quando um problema nos ocorre sempre devemos lembrar cuidadosamente e respeitosamente dos nossos oponentes, devemos nos concentrar em nos defender com todo o cometimento possível.” (NAKASONE, 2003)
Assim como o karateca é responsável pelo controle de sua própria força, é solicitado a considerar a força e potenciais consequências das atitudes de seus opositores. Novamente invocam-se os princípios da humildade e atenção. E demanda-se um ainda mais comprometido senso de responsabilidade, em que pesa não somente as consequências de seus atos, como daqueles com quem se dispõe em embates.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 15 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 14:
HITOTSU – TATAKAI WA KYOJITSU NO SOJU IKAN NI ARI
“ A luta depende do manejo do pontos fracos (KYO) e fortes (JÍTSU)”.

Este ensinamento, assim como o anterior, exige do praticante do Karatê o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento ao opositor.
A habilidade em reconhecer e manejar pontos fortes e fracos constitui uma das bases do planejamento estratégico. Portanto, a técnica inicialmente voltada para a luta, acaba por contribuir para que seu praticante desenvolva raciocínio lógico e capacidades de intervenção estratégica, adequadas aos diferentes desafios cotidianos, principalmente aqueles encontrados no mundo do trabalho.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 14 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 13:
HITOTSU – TEKI NI YOTTE TENKA SEYO
“Mude de estratégia conforme o adversário”.

“Sun Tzu discute o manejo da força como se fosse a água. Assim como a água flui naturalmente de um lugar alto para um baixo, o comandante espera evitar a força do inimigo e atacar as suas fraquezas. E como a água que muda a sua forma de fluir de acordo com os contornos da terra, ficando calma e quieta no nível baixo, e extremamente agitada quando passa por pedras ou encontra uma cascata, o exército deve se adaptar aos movimentos dos inimigos e ao terreno para assegurar a vitória.” (NAKASONE, 2003)
O presente ensinamento remete a uma característica de flexibilidade diante das adversidades e também à construção de estratégias adequadas aos diferentes desafios. Exige paciência, perseverança, inteligência e lógica. O karateca nunca está suficientemente preparado, como já vimos em ensinamentos anteriores, mas será desafiado a desenvolver estas habilidades de forma cada vez mais eficazes.
Retomando uma questão já apontada, muitas vezes o opositor que se encontra não é uma pessoa, mas uma situação, uma condição social, um desafio de cunho pessoal e subjetivo. Diante de todos estes, favorece o desenvolvimento de uma atitude flexível e estrategista.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 13 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 12:
HITOTSU – KATSU KANGAE WA MOTSUNA MAKENU KANGAE WA HITSUYO
“Não pense em vencer, pense em não ser vencido”.

“ O Shogun Tokugawa Ieyasu diz que a atitude mental que considera a vitória inevitável e que possui extremo otimismo acaba tendo pouca paciência para aprender. Os praticantes que só pensam em vencer perdem o seu senso de humildade. Eles começam a ignorar e desrespeitar os outros praticantes, uma atitude que acaba apenas os levando a criar inimigos. A melhor atitude a se tomar é a seguinte: baseado em sua verdadeira força e convicção inabalável, nós temos que estar prontos em nossa mente para não perdermos, mesmo que o oponente seja mais forte, e devemos, sobretudo evitar o conflito com os outros.” (NAKASONE, 2003)
A humildade é uma característica fundamental ao praticante do Karatê. Ela o coloca em constante disposição para aprender e se superar, bem como favorece suas relações interpessoais. O ensinamento dos samurais remetia que o guerreiro verdadeiramente corajoso é gentil por fora e duro por dentro. Não se trata, portanto, de ostentação de poder ou força, mas de capacidade de relacionar-se com justiça e dignidade, utilizando sua força interior para o bem coletivo.
Preparar-se para não perder é dispor-se, com humildade, a enfrentar oponentes inclusive mais fortes, caso seja necessário, com verdadeira coragem.
No trabalho com crianças e adolescentes, a aplicação deste ensinamento permite estabelecer um novo princípio dentro das práticas competitivas, a partir do qual a conquista localiza-se mais na superação de seus próprios limites e preparo para as distintas adversidades, do que na simples vitória sobre o oponente. Favorece o estabelecimento da cultura da paz e o enfrentamento das violências.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 12 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 11:
HITOTSU – KARATÊ WA YU NO GOTOSHI TAEZU NETSUDO WO ATAEZAREBA MOTO NO MIZU NI KAERU
“O Karatê é como água quente. Se não receber calor constantemente, esfria”.

“Aprender enquanto se pratica é como puxar um carro montanha acima, se você se descuidar ele escorrega e volta para baixo. Em todos os nossos estudos a concentração contínua e o esforço são a marca do sucesso. Isto significa que quando você começa a treinar o karatê-dô não adianta apenas treinar às vezes ou estudar sua filosofia de vez enquando, isso não adianta nada. Apenas com o treinamento e estudo continuo você estará apto a obter uma mente e um corpo forjados pelo verdadeiro caminho do karatê-dô.” (NAKASONE, 2003)
O Karatê é uma técnica de aprimoramento pessoal. Não constitui uma característica natural do desenvolvimento humano. Embora todos possuam em si capacidades para constante superação e evolução, os benefícios do treinamento do Karatê somente serão obtidos se praticado com determinação contínua.
Este ensinamento desafia os praticantes desta arte marcial a uma atitude continuamente firme e disposta, a uma opção comprometida consigo mesmos e com sua autosuperação. E mais do que isso, estabelece traços fortes de disciplina, pois exige constante, continuidade, ritmo e estratégias para alcances diários de objetivos.
O exercício da disciplina permite à criança e ao adolescente que participa de ações socioeducativas, o desenvolvimento de várias outras habilidades que convergem para a consolidação de novos projetos de vida. Com esta atitude é possível uma maior determinação para o aprendizado de ciências, de linguagem, de atividades para o trabalho. É fundamental àqueles que vislumbram um futuro a partir de uma carreira esportiva ou que estejam se preparando para o vestibular.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 11 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 10:
HITOTSU – ARAI YURU MONO WO KARATÊKA SEYO SOKO NI MYOMI ARI
“Aplique o Karatê-Dô em todas as coisas. É nisso que consiste a sua beleza”.

“Um soco ou um chute, dado ou recebido, pode significar a vida ou a morte. Esta concepção forma a alma do karatê-dô. Se todos os aspectos da vida se aproximarem deste espírito de seriedade, todos os obstáculos e dificuldades podem ser ultrapassados. Quando os karatecas confrontam uma dificuldade com uma atitude de que sua vida está em jogo, será revelado que eles têm que acreditar em suas próprias habilidades. Poderão perceber as maravilhas contidas em polir o corpo e a mente no caminho do karatê-dô, e irão reconhecer a beleza deste difícil caminho.” (NAKASONE, 2003)

O respeito pelo oponente, a responsabilidade no uso de sua força, o compromisso com o auto-conhecimento e auto-controle, a atenção, a defesa da justiça, a busca pelo constante aprimoramento são alguns dos fatores que embelezam e enobrecem a prática do Karatê. Elementos como estes podem ser aplicados à vida cotidiana e permitirão uma qualificação ainda maior do significado do Karatê para quem o pratica e para a sociedade como um todo.
Quanto maior o comprometimento com a aplicação da filosofia e princípios do Karatê no dia-a-dia, mais evidentes serão os resultados de transformação na vida de quem o pratica. No processo socioeducativo o reforço deste ensinamento é constante, não limitado à sua repetição verbal, mas como componente de todo o processo de treinamento.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 10 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 09:
HIROTSU – KARATÊ NO SHUGYO WA ISSHO DE ARU
“O aprendizado do Karatê deve ser continuado durante toda a vida”.

“Não existe nenhum sinal de que o karatê-dô acaba o seu treinamento quando se atinge certo ponto, pois, sempre existe um nível a mais para chegarmos. Por essa razão os karatecas devem treinar por toda a sua vida. O caminho do karateca é uma longa estrada sem fim.” (NAKASONE, 2003)
O aspecto formativo do Karatê pressupõe um caminho de constante evolução, superação e amadurecimento. E ainda, de interrelação, onde se tem um respeito especial àqueles que estão em um nível superior de treinamento, bem como de cooperação e ajuda àqueles que encontram-se em fase mais inicial. Existem parâmetros de avaliação que estabelecem o estágio de cada karateca, por meio das faixas de diferentes cores e de títulos distintos mesmo dentre aqueles que possuem faixas da mesma cor. Mas, além disso, há sempre um novo desafio a ser superado, uma forma de qualificar ainda mais a técnica e imensas possibilidades de avançar na formação de seu próprio caráter.
Em projetos socioeducativos o Karatê pode fazer parte de um período específico no tempo de formação de crianças e adolescentes, mas deixa características que lhe marcarão toda a vida. Ainda se traduz como uma possibilidade de contínuo treinamento. Muitos alunos que tiveram contato com o Karatê por meio de um projeto socioeducativo desejaram e foram apoiados a continuar seu treinamento em academias específicas e o levaram para toda a sua vida.
Pode-se dizer que para o Karatê, o homem é um ser em contínua construção.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 09 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 08:
HITOTSU – DOJO NO MI NO KARATÊ TO OMOUNA
“O Karatê não se limita apenas à academia”.

“O objetivo do karatê-dô é polir e nutrir tanto a mente quanto o corpo. O desenvolvimento de um espírito único e atitude mental começam durante a prática no dojo, e não deve cessar após o cansaço físico e mental ao fim do dia. Portanto, isto deve estar presente sempre, mesmo fora do dojo deve fazer parte de nossa rotina diária. O efeito de uma alimentação desregulada e o hábito de beber que afeta a sua saúde, logo irão interferir no seu treinamento no dojo. Eles irão te levar a fadiga física e mental, tornando impossível você atingir as metas do seu treino. Com isso, os karatecas tem que estar sempre cuidando de sua saúde tanto dentro como fora do dojo, deixando tanto o corpo quanto a mente sadios.“ (NAKASONE, 2003)
Existe uma contínua relação entre o ambiente interno e externo à academia, no treinamento do Karatê. Os hábitos externos, tais como a alimentação e ingestão de bebidas alcoólicas, interferem diretamente na qualidade do treino e do potencial de desenvolvimento do karateca na academia. Da mesma forma, as rotinas do treino na academia e toda a fundamentação filosófica que compreendem, impactam no seu dia-a-dia, na forma como se relaciona, se percebe e em suas atitudes.
Considerando que o Karatê é uma arte marcial comprometida com o desenvolvimento integral da pessoa, seria empobrecê-lo demais, se fosse limitado apenas aos ambientes de treino e competições.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 08 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 07:
HITOTSU – WAZAWAI WA GETAI NI SHOZU
“Os infortúnios são causados pela desatenção”.

Também este princípio compreende uma dimensão preventiva. Orienta que grandes males podem ser evitados a partir de uma atitude vigilante. Exemplos cotidianos estão no transito e nas relações de trabalho, em que a desatenção provoca acidentes e perda do controle da situação.

Assim, o karateca deverá realizar cada uma de suas ações de forma bastante atenta e considerando possíveis ameaças que possam ser evitadas.

Esta atitude corrobora também na melhora nos processos de aprendizagem, tanto no que se refere a educação escolar, quanto na educação para o trabalho. Implica ainda em desenvolvimento de habilidades de organização e de cuidado. Vai se fortalecendo ainda o senso de responsabilidade para consigo, com os outros e com as ações que se executa.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 07 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 06:
HITOTSU – KOKORO WA HANATAN WO YOSU
“Evite o descontrole do equilíbrio mental”

Seguindo este ensinamento, a mente deve estar sempre aberta para novos aprendizados, novas experiências, para construir novas vivencias, colocar a criatividade em funcionamento. Contudo, a mente deve estar suficientemente equilibrada para não sucumbir às dispersões, aos medos, às ameaças.
É importante para o Karateca que saiba controlar suas emoções ao agir. Num momento de luta, não deve deixar-se guiar pela raiva, ódio, ressentimento, nem mesmo aplicar sentimentos dados como positivos, ou seja carinho, amor, atração. Estes e outros afetos podem comprometer a atitude necessária à vitória.
Para prosseguir no aprendizado do Karatê, assim como para perseguir objetivos de vida, é fundamental uma mente sob controle, em perfeito equilíbrio.
Muitas situações equivocadas do dia-a-dia são movidas por decisões impensadas, cheias de sentimentos. Assim ocorrem discussões, agressões e certas vezes culminam até mesmo em assassinatos.
Ao Karateca, dentro e fora do Dojo, cabe buscar este constante equilíbrio, agir com a mente, manter o controle e jamais deixar-se controlar.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 06 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 05:
HITOTSU – GIJUTSU YORI SHINJUTSU
“A intenção mental é mais importante do que a técnica”.

A principal mensagem deste ensinamento é de que é preciso pensar antes de agir. Não basta dominar as técnicas e aplicá-las de modo instintivo ou intuitivo. A técnica deve compor um conjunto com a percepção e levar a uma atitude de prevenção. Um karateca não deve expor-se a situações de perigo, confiante de que suas habilidades são suficientemente capazes de defendê-lo de qualquer ameaça.
O desenvolvimento de uma atitude mental mais atenta ao ambiente e aos fatos, vai consolidando também novas habilidades, impactando em melhoras no processo de aprendizagem, de comunicação e das relações interpessoais.
A atitude preventiva também vai se consolidando no processo socioeducativo, apontando para a adesão a uma cultura da paz, hábitos saudáveis, cuidados na relação com os demais.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 05 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 04:
HITOTSU – MAZU JIKO WO SHIRE SHIKOSHITE TAO WO SHIRE
“Conheça a si próprio antes de julgar os outros”.

“Quando você conhece o inimigo e conhece a você mesmo, estará seguro em mil batalhas. Quando você desconhece o inimigo e conhece você mesmo a chance de ganhar ou perder são iguais. Quando você não conhece nem você mesmo e nem o inimigo cada batalha será perigosa”(Sun Tzu).

A prática do Karatê implica num comprometido autoconhecimento. O karateca que não conhece seu potencial e seus limites luta como se estivesse de olhos vendados e coloca-se em situação de risco. Contudo, não basta se conhecer. As chances de vitória são tanto maiores, quanto se conseguir conhecer as forças e fraquezas de seus oponente, para atuar numa atitude assertiva de combate.
Dois aspectos de análise permitem a aplicação cotidiana deste ensinamento no processo socioeducativo junto a crianças e adolescentes.
O primeiro diz respeito a compreender quem é o verdadeiro oponente. Contra quem ou contra o que se deve lutar? A conjuntura sofrida da qual crianças e adolescentes são vítimas leva ao estabelecimento de conflitos interpessoais de diversas ordens, na família, na escolas, entre os grupos de amigos ou na vizinhança. Evidenciam-se questões como a violência doméstica, o bulling e as brigas entre gangs ou grupos. Contudo, não são estes os reais oponentes contra quem se deve lutar. A construção de um futuro, com perspectivas promissoras, passa por lutas que não se dão no aspecto interpessoal, mas que compreendem a superação de seus próprios limites, a conquista de novos espaços de desenvolvimento pessoal, a exigibilidade dos direitos assegurados por Lei e o investimento na consolidação de relações de justiça, cidadania e liberdade para todos. Nestes aspectos, embora não se materialize o uso das técnicas físicas do treinamento do Karatê, toma grande proporção a aplicação de toda a sua formação filosófica.
Um segundo aspecto é o investimento no auto-conhecimento. Os métodos utilizados no processo socioeducativo devem permitir o desenvolvimento de um novo olhar sobre si, a partir do qual seja possível identificar talentos, potencialidades e capacidades. A realidade social vivida por crianças e adolescentes e os traços de violação de direitos em suas histórias, inibem a construção de projetos de futuro. Os altos índices de mortalidade por violência, na juventude e ainda aspectos de reprodução da pobreza por gerações nas famílias, implicam uma barreira que impede visualizar possibilidades de futuro e inibe o desenvolvimento de sonhos e projetos.
A formação no Karatê compreende o conhecimento de forças, tanto físicas quanto nas demais esferas do ser. E, evidentemente, leva também ao conhecimento realista de limites, que apontam para sua superação e permitem o estabelecimento de projetos consistentes, não determinados nem tanto pelo fatalismo de que não há possibilidade de mudança, nem tanto pelo idealismo de que absolutamente tudo o que é desejado pode ser viabilizado.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 04 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 03:
HITOTSU – KARATÊ WA GI NO TASUKE
“O Karatê caminha ao lado da Justiça”.

“A justiça é tudo aquilo que está certo. Para trazer o que é certo à realização é necessária força e habilidade verdadeiras. Os seres humanos são mais fortes quando eles acreditam que estão certos. (...) Evitar a ação quando a justiça está em jogo é falta de coragem. O karatê-dô é uma arte marcial na qual as mãos e os pés são como espadas e não deve ser usada injustamente ou inapropriadamente. O karateca deve estar ao lado da justiça em todos os momentos e apenas nas situações em que não há escolha ele deve expressar o seu poder usando os pés e as mãos como armas.” (NAKASONE, 2003)
Discutir sobre justiça no processo educativo é um elemento fundamental. Debater sobre o que caracteriza algo como certo ou errado. Desenvolver a capacidade crítica de questionar os elementos dados como naturais no contexto vivido, tais como a violência, a pobreza, os vícios, as diferentes formas de corrupção, bem como a crítica construtiva aos próprios instrumentos formais de aplicação da justiça como os códigos e leis, permite a construção de uma atitude participativa e comprometida, o real desenvolvimento cidadão.
A prática do Karatê não está deslocada no ambiente, mas compromete-se com seu desenvolvimento.
As marcas que muitas crianças e adolescentes brasileiros, inseridos em programas socioeducativos, trazem na sua história são de contínuos desrespeitos à justiça. Embora existam leis cidadãs mundialmente reconhecidas, como é o caso do Estatuto da Criança e do Adolescente, da Lei Maria da Penha e da própria Constituição Federal, ainda prevalece, em muitos setores, o desrespeito à Lei e a violação de direitos. Tais fatores são identificados pela precariedade das políticas públicas, pela pouca prevenção à violência, pela impunidade, pela desigualdade social, discriminação e outros fatores.
Logo, o Karateca é convidado a dispor de sua força e atitude na consolidação de relações mais justas e na defesa dos direitos historicamente conquistados.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 03 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 02:
HITOTSU – KARATÊ NI SENTE NASHI
“No Karatê, não existe atitude ofensiva.”

“ ‘Uma espada nunca deve ser retirada imprudentemente’, esse sempre foi o código de conduta mais importante no dia a dia de um samurai. Isto é essencial para que o homem honrado consiga levar as coisas até o limite de sua habilidade antes de tomar qualquer ação. Apenas depois de alcançar esse limite e quando a situação não pode mais ser tolerada a espada deve ser desembainhada. Esse é um ensinamento básico do Bushido Japonês. No karatê-dô as mãos e os pés podem ser tão mortais quanto a lâmina de uma espada. Por isso, o princípio de que não existe o primeiro golpe no karatê-dô é uma extensão do princípio básico samurai de que se deve evitar ao máximo o uso imprudente das armas. Isso demonstra a absoluta necessidade de desenvolver a paciência e o autocontrole.” (NAKASONE, 2003)
Este ensinamento aponta para uma nova atitude nas relações sociais, na busca por espaços e na afirmação da força. O Karateca é estimulado a conhecer sua própria força e não comprová-la mediante lutas banais. O seu auto-conhecimento leva-o a compreender a consequência de seus golpes. Seus braços e pernas podem ser tão perigosos quanto a espada de um samurai.
É reforçado o compromisso com o auto-controle, a partir do conhecimento de seus potenciais e mesmo das consequências do mau uso e sua força, técnica e habilidades.
O karatê é uma técnica de defesa pessoal e deve ser aplicada na conservação da vida e na preservação do bem comum. Jamais como atitude ofensiva ou provocativa.
Jovens e adolescentes que o praticam, conseguem desenvolver esta nova concepção sobre a força, comprometida com o coletivo e não limitada a interesses individuais.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 02 de setembro de 2017
Reflexões sobre os 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, aplicados à práticas socioeducativas*
Ensinamento 01:
HITOTSU – KARATÊ DO WA REI NI HAJIMARI REJ NI OWARU KOTO WO WASURUNA
“Não se esqueça que a prática do Karatê deve iniciar e terminar com saudação”.

“A saudação abrange o respeito pelos outros e o respeito próprio. Quando as pessoas que honram elas mesmas conseguem transferir esse sentimento de estima para os outros elas não estão fazendo nada mais do que expressar a saudação. É dito que sem a saudação não existe ordem, e também que o que diferencia o homem do animal é justamente esse significado da saudação. Métodos de combate que não desenvolvem a saudação não são artes marciais, e sim pura competição violenta. Força bruta sem o conceito de saudação nada mais é do que força bruta, e para a humanidade isso não tem valor.” (NAKASONE, 2003)
Um dos aspectos fundamentais do Karatê, bem como de outras artes marciais, é o respeito: o respeito por si, o respeito pelo mestre, o respeito pelo ambiente, o respeito pelo outro. A saudação evidencia esta marca.
Como estratégia socioeducativa, a prática da saudação e o desenvolvimento do conceito do respeito permite a construção de relações pacíficas. Uma mancha que assola a vida de muitas crianças e adolescentes brasileiros é a violência, que se apresenta nos ambientes domésticos, nos territórios, nos espaços educacionais, entre outros. Embora seja um aspecto danoso ao desenvolvimento infanto-juvenil e que pode inclusive resultar em mortes, tem feito parte da conjuntura em que as relações sociais têm se desenvolvido para este público.
A proposta do Karatê vem apresentar um novo caminho de socialização, uma nova forma de relações. Nesta nova perspectiva força e violência não são encarados como sinônimos, mas pelo contrário, o desenvolvimento da força e maior habilidade, requer o máximo de respeito pelo outro e pelo ambiente.
Logo, a saudação não se trata de mero cumprimento, mas implica na adesão a um novo conceito e a uma nova forma de comportamento com relação a si, ao outro e ao mundo.

* CAROLLO, Guilherme Antonio. HACK, Neiva Silvana. ADDES e Projetos Socioeducativos com Karatê: possibilitando caminhos, transformando vidas. 2015
Publicado em 01 de setembro de 2017
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